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Os 150 Anos de O Livro dos Espíritos


Neste 18 de abril de 2007, O Livro dos Espíritos completa 150 anos.

Aparentemente é um livro velho, especialmente devido a acelerada evolução científica do século passado, mas é um livro atual, novo, pois os seus conceitos não foram ainda inteiramente assimilados e compreendidos, mesmo por um grande número de espíritas.

Na introdução Kardec faz uma lúcida abordagem de algumas palavras e define o significado de "alma" para o Espiritismo, afirmando que a alma é o espírito encarnado. Mas adentrando o capítulo 1º tomamos conhecimento do seu conteúdo, que trata das causas primárias. Deus e o Infinito.

O livro revoluciona o pensamento até então vigente sobre um Deus antropomórfico, isto é, com forma de homem, tendo por conseqüência, herdado virtudes e defeitos humanos. A resposta dos espíritos é muito simples: Inteligência suprema. Causa primária de todas as coisas. Entretanto, a forma da pergunta de Kardec também é revolucionária: O Que é Deus? substituindo a velha forma: Quem é Deus?

Todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. Os que negam a existência de Deus, dão ao acaso uma força extraordinária. Que acaso fabuloso teria criado o universo? O sentimento de religiosidade é inato no homem e infelizmente a intelectualidade dos materialistas afirma que o homem que precisa desse sentimento religioso, que crê na continuidade da vida e em seres invisíveis que a presidem, são pessoas fracas, que tem medo e precisam se apoiar em algo mágico, místico, para suportar a vida. Pensam eles, os materialistas, que não precisam: Ledo engano!

Deus é eterno, imutável, imaterial, único e Todo-Poderoso. Lógico que com isto não falamos tudo sobre Deus. Talvez uma ínfima parte. Mas, como diz Kardec, se não podemos saber tudo o que Deus é, sabemos o que ele não pode ser. E com certeza ele não pode ser esse Deus arbitrário, ciumento, rancoroso, punidor, que protege alguns em detrimento de muitos; que criou seres diferenciados sem a necessidade de passar pelas provas humanas, e que até teria gerado um filho unigênito, diferente de tudo que foi criado antes e depois. Ora, não é a toa que os teólogos temem o Espiritismo e tentam provar que ele é, exatamente, aquilo que ele prova que não é.

A lenda de Adão e Eva entra definitivamente para o rol do maravilhoso e sobrenatural. A Terra começou a ser povoada em vários pontos diferentes. Adão e Eva são para o Espiritismo a representação de uma raça que habitou uma região do planeta numa determinada época. Por tanto, fica bem claro que a humanidade não começou por um primeiro casal, consequentemente não herdamos o pecado original e não fomos criados para sofrer, e sim para crescer, evoluir, ser perfeitos.

O homem é dotado do fluido vital que lhe dá energia e condições de viver na matéria. A morte se dá por exaustão dos órgãos, e o espírito, que é o princípio inteligente do universo, desenvolve-se através das reencarnações sucessivas, neste e em outros mundos.

O Livro dos Espíritos será alvo de muitas homenagens neste mês de abril, assim como Allan Kardec, entretanto, a melhor homenagem que podemos fazer a ambos, é estudar profunda e dedicadamente O Livro dos Espíritos, e, conhecendo-o como a palma da nossa mão, divulgá-lo com todas as nossas forças. Talvez a divulgação deste livro ainda não alcançou o seu ápice, porque muitos dos que o divulgam não o conhecem bem, e muitos outros conhecem por ouvir dizer, e o tem como um livro religioso, como o é a Bíblia, o Corão, e outros.

Temos no Livro dos Espíritos um compêndio de sociologia cósmica, porque ele não trata apenas da vida depois da morte, mas da vida independentemente de estar ou não vinculado a um corpo físico.

A nosso ver ninguém pode dizer-se realmente espírita se não conhecer O Livro dos Espíritos. Nenhuma outra doutrina dá, como o Espiritismo, uma noção clara, aceitável, da vida e da criação. Os mitos e as lendas, como de Adão e Eva, do pecado original, da rebelião dos anjos, liderados por Lúcifer, serviram para a infância da humanidade. Hoje, nossa mente já pede alimentos sólidos, como no dizer de Paulo à Igreja de Corinto: Leite vos dei, porque não podíeis digerir alimento sólido, e ainda não podeis.

Logicamente Paulo falava à uma época muito próxima do Cristo. Hoje, dois milênios depois, certamente estamos em condições de conhecer verdades mais profundas e mais sólidas. Este é o papel do Espiritismo, oferecer alimento sólido e substancioso. Entretanto, acostumados à papinhas, a maioria dos cristãos rejeitam o alimento espírita, e mesmo entre os espíritas, existem aqueles que, como disse o Prof. Herculano Pires, não querem largar as tetas das cabras celestes.

Não largam o leite, a papinha, para não ter o trabalho de mastigar e digerir o alimento sólido, e por isso recheiam o Espiritismo de fantasias e da ferrugem das religiões que deixaram, sem abandoná-las totalmente, como a mulher de Lót, olham para trás em busca das suas quimeras, e se petrificam.

Que bom saber que não fomos criados, como Adão, do barro da terra, e sim, da luz das estrelas.

Os espíritos são os seres inteligentes do universo. Criados simples e ignorantes, partem para a mais fantástica jornada, verdadeira epopéia, muito mais extraordinária que qualquer odisséia.

Todos, sem exceção, partem do mesmo ponto e tem o mesmo objetivo, a perfeição. Ninguém ficará perdido pelo caminho, mas dependerá de cada um, o tempo que levará para alcançar a meta. Para os rebeldes, recalcitrantes ou preguiçosos, as "eternidades serão mais longas".

Ao contrário de uma existência limitada a menos de cem anos, com poucas exceções que ultrapassam essa idade, o espíritos tem uma série inumerável de vidas. A reencarnação é a mais justa e democrática lei do universo. Através das reencarnações o espírito passa por todas as condições humanas, variando a raça, cor, sexo, riqueza e poder, ou pobreza e desvalia. A reencarnação se dá na Terra ou em mundos compatíveis com a nossa evolução, o que reforça a idéia de sermos cidadãos cósmicos.

Quando encarnado, o homem é composto de corpo, perispírito e espírito. Ao morrer o corpo, o espírito se liberta e leva consigo o perispírito, corpo fluídico, vaporoso que guarda a forma ou aparência da última encarnação.

O Espírito viaja pelo espaço com a rapidez do pensamento, mas não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, e nem se divide, porém, a sua irradiação mental tem a força da sua evolução.

A criança que nasce e pouco tempo depois morre, durando algumas semanas, meses ou alguns poucos anos, qual será o seu destino? Céu, Inferno ou o limbo? Essas soluções seriam imorais, no entanto, o espírito que não é criança, pois a sua personalidade fora do corpo que o restringe é adulta, reencarnará em novo corpo, especialmente preparado para ela, e continuará a sua jornada. Qual doutrina apresenta solução tão justa para tal problema?

O Espírito guarda consigo todo o patrimônio intelectual e moral adquirido. Essas aquisições se apresentam, muitas vezes, como idéias inatas, vocações, aptidões.

É interessante como o Espiritismo valoriza a vida. Não somos contra isto ou aquilo, somos a favor da qualidade, da dignidade da vida. De acordo com o modo que viver, o espírito será recebido no mundo espiritual ao desencarnar. Carinhosamente pelos bons, se foi bom, ou amargará a companhia dos desditosos, se foi mau, egoístas, violentos.

Os espíritos não ocupam lugar e nos cercam, nos acotovelam sem que os percebamos, por isso, podem ler os nossos pensamentos. Alguns nos protegem, outros nos invejam ou atacam, mas se a nossa vida for reta, leal, elevada, não há porque temer a intromissão dos maus espíritos.

Sabendo tudo isso, e muito mais que o Espiritismo nos oferece, ficamos tristes ao ver centros espíritas que curam o corpo que um dia irá morrer, mas negligenciam a cura do espírito imortal. Mais do que a busca da salvação empenhamo-nos na busca da iluminação, do conhecimento. No dizer de Kardec o Espiritismo amplia os horizontes da humanidade.


Fonte: site – www.ajornada.hpg.ig.com.br


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