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Mensagens


Abnegação



Reunião pública de 9/11/59

Questão nº 912

No estudo da abnegação, fitemos em Cristo o exemplo máximo.

Emissário de Deus entre os homens, podia exigir um palácio para nascer,

mas preferiu asilar-se no abrigo dos animais.

Podia freqüentar, na meninice, os mais altos grêmios filosóficos e religiosos

da nação que o contava entre os seus; todavia, preferiu as rudes experiências

da carpintaria de Nazaré.

Podia aderir aos programas de dominação dos maiorais em Jerusalém,

impondo-lhes a sua própria condição de missionário excepcional; entretanto,

preferiu incorporar-se ao trabalho de pescadores humildes, revelando-se a eles

sem violência.

Podia escolher as damas ilustres para entreter-se, com elas, acerca do Reino

de Deus, através de tertíflas afetivas no terraço de casas nobres; contudo,

preferiu entender-se com as mulheres simples do povo, sem esquecer a filha

de Magdala, submetida aos flagelos da humilhação.

Podia insinuar-se no ambiente mais íntimo de Caif ás ou Pilatos e

agradar’lhes a parentela para ganhar influência; no entanto, preferiu aproximar-

Se dos enfermos esquecidos na via pública.

Podia acumular ouro e prata, mobilizando os poderes de que dispunha,

mas preferiu viver entre os desfavorecidos do mundo, sem reter uma pedra

onde repousar a cabeça.

Podia afastar Iscariotes do círculo doméstico, depois de perceber-lhe os

primeiros sinais da deserção; todavia, preferiu conservá-lo entre os aprendizes,

para não lhe frustrar as oportunidades de reajuste.

Podia agitar a multidão contra os detratores de sua causa; entretanto,

preferiu que os detratores a comandassem.

Podia recorrer à justiça de modo a defender-se contra a perseguição sem

motivo; no entanto, preferiu morrer perdoando aos algozes, alinhando-Se entre

os condenados à morte sem culpa.

Não te despreocupes, assim, da abnegação dentro da própria vida, a fim de

que possas auxiliar as vidas que te rodeiam.

Supérfluo que nos enfeita é carência que aflige os outros.

O grande egoísmo da Humanidade é a soma dos pequenos egoísmos de

cada um de nós.

Sofrer por obrigação é resgate humano, mas sofrer para que outros não

sofram é renúncia divina.

Ninguém sabe se existe virtude nos prisioneiros da expiação; entretanto, a

virtude mostra-se viva em todo aquele que, podendo acolher-se ao bem

próprio, procura, acima de tudo, o bem para todos.

Se podes exigir e não exiges, se podes pedir e não pedes, se podes complicar

e não complicas, se podes parar de servir e prossegues servindo, estarás

conquistando o justo merecimento.

Não vale, pois, reclamar a abnegação dos outros para a melhoria do

mundo, porque o próprio Cristo nos ensinou, à força de exemplos, que a

melhoria do mundo começa de nós.


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